terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

"Lágrima" derramada e declarada

Caiu uma lágrima no chão...
Olhei para mim
Murmurei, sussurei, chorei
E cheio de paixão
Fiquei nervosa à tua espera
Talvez no Outono, no Inverno ou na Primavera
Tu Possas aparecer
para finalmente eu constatar
Que és a minha vida
A minha razão de viver...
Mas tenho medo que me possa enganar
Quando o meu coração
Em tuas mãos ficarem
O meu amor e compreensão
E os meus sentimentos te contemplaram...
Quando tu tocas na minha mão
fico a tremer,
o meu coração bate mais alto
fico a tramer,
o meu coração bate mais alto, fico também com medo de sofrer...
Será que é um assalto
Ao meu sensível coração!?
Será que representas ou sentes a mesma paixão?!...
Ou será que finges e mentes?
Eu nunca quis amar ninguém
Com medo que esse alguém
pudesse fazer-me sofrer
Mas em Ti eu quero acreditar (eu acredito!)
pois tu deste-me a entender
o que é realmente "amar"....

FIDJO MATCHO/FIDJO FÊMEA

Filho magoado com restos de lágrima,
que escorre como uma gota de orvalho,
do dia mais chuvoso da estação invernosa.
Quem o ajuda se não for a esperança, a fé na sua vida,
e os poucos Amigos.
É fácil dizer toma cuidado,
mas na realidade custa muito mais que as palavras,
por mais confortadoras que essas sejam.
Filho que foi e deixou, mãe, pai e irmãos.
Filho que foi ser alguém em outras bandas.
Foi ser pedreiro, carpinteiro, ou estudante para que
num devir sirva a sua terra natal,
para viver com mais dignidade, sorte e paz de espiríto,
exemplo da sua FAMÍLIA!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Boa Vista (também escrito Boavista) é uma ilha do grupo do Barlavento de Cabo Verde. De todas as 10 ilhas do arquipélago, é a situada mais a leste, distando apenas 455 km da costa africana. Sua superfície de 620 km² a torna a terceira maior ilha do país, depois de Santiago e Santo Antão. Tem cerca de 31 km de norte a sul e 29 km de leste para oeste. A maior povoação da ilha é a vila de Sal Rei, com cerca de 2500 habitantes.
Boa Vista tem as mais extensas praias de Cabo Verde e tem sido recentemente alvo do investidores turísticos, que construíram vários hotéis e infraestruturas turísticas. Há boas condições para mergulho, livre ou autónomo, nos diversos ilhéus que rodeiam a ilha.

POR FALAR EM CARNAVAL, VAMOS ATÉ PORTUGAL NOS ANOS 90!

A - A de Aníbal Cavaco Silva, um dos nomes que andam na "boca do povo". Povo esse que o elegeu como Primeiro Ministro, pela segunda vez. O seu partido, o PSD, é conhecido como opartido laranja, que após dois mandatos, está a dar sinais de apodrecimento!...Será por causa dos fertilizantes?
B - B de Benfica. Benfica é o maior! A águia encarnada, depois de perdidas todas as esperanças, lá fez uma proeza, ganhando a Taça de Portugal.
Mas a crise quando chega é para todos, e este clube também foi atingido por ela. Dois dos melhores jogadores "escapoliram" para o vizinho Sporting. Paulo Futre, famoso jogador parece que está com intenções de percorrer todos os clubes de futebol.
Assim, depois do Sporting, do Porto e do Atlético de Madrid, esteve uma mini-temporada no Benfica, e agora prepara-se para o futebol francês. Questionado sobre o problema do idioma, responde que, como Eusébio, mais do que simples palavras é no jogo que ele demonstra o que vale!...Vá lá se entender!!
C - C de crise! - " Isto é que vai uma crise!..." - já dizia a falecida Ivone Silva. Só que não é apenas uma crise, são várias!! É a crise ecoómica. a crise do dóllar, a crise de emprego, crise dos trabalhadores...! A consequência destas crises, são outras crises, a crise depressiva, a crise obsessiva e a mais grave, a crise psicótica...!E que hajam crises para aguentar a Crise!!!
D - D de Dinheiro. "Ó Teresinha dinher d'Angola ja caba...". É agora é que não há mais nada p'ra ninguém! Em Angola, resta a guerra e o que dela restar! Portugal, cauteloso, investe nas "Europas", porque o Ultramar "já era"...!
E - E de Estudantes. O ano lectivo que está a terminar (92/93), foi uma tentativa de reviver o "Maio de 68". É que os estudantes, reivindicaram medidas tomadas pelo Ministro da Educação, o Couto, sobretudo em relação às propinas. Fizeram boicote às propinas, ( ou "boicouto", como se diz no meio estudantil). Houve manifestações, comícios com pancadaria de "meia-noite", "greve" de aulas, enfim uma autêntica odisseia. Resultados? Até agora se está à espera da decisão superior!
F - F de Férias. O estudante, ambiciona durante um ano inteiro pelo dia em que, ao ver o seu nome na pauta do último exame feito com aproveitamento, este funcione como um guia de marcha para as tão esperadas, estudadas, suadas, cabuladas e ansiadas férias. Ao contrário o trabalhador, começa a pensar nelas, no princípio do ano. Faz o seu calendário de férias, para a partir dele, começar a programá-las. Quando chega a altura de férias, é uma azáfama tão grande, pois é a arrumação, é enfrentar as longas bichas debaixo de um calor abrasante, o bébé que não pára de chorar, a mulher que fez dieta durante o ano inteiro e queixa-se de não ter emagrecido, nem uma grama, tudo isto, (sem contar com as despesas que terá que fazer), faz com que, o pobre coitado resolva gozar as férias "chez lui"!
G - G de Guerra! Todos os dias, somos "bombardeados" pelas "news", da rádio, dos jornais e da TV (que agora tem mais dois canais). É a guerra de Angola, guerra na Bósnia - Hersgovinia, de Moçambique, da Somália!...Na altura da Guerra do Golfo, esta foi transmitida integralmente e em directo pela RTP! Ao menos fizessem um "break" para o cafézinho, não?
H - H de Herman José! O cómico nº1 "made in Portugal"! Rico até mais não, à custa das suas anedotas, é apresentador de dois programas importados. Faz a delícia de milhões de portugueses, que se não estiverem saciados com a "Roda da Sorte" e o "Parabéns", têm agora oportunidade de ouvir anedotas do Tio Herman pelo telefone...! E esta, hein?
I - I de Inverno! O tempo está virado e deixa "pirado" o "manda-chuva", que se vê "às aranhas", com a previsão que faz, quando esta não corresponde ao tempo que se tem. No Inverno, temos bom tempo, e na Primavera, um frio de "rachar pedra"! Até ao mês passado o tempo estava instável, choveu muito, e agora estamos com um calor insuportável...terá a ver com o buraco de ozono?
J - J de Juventude! "É o que 'tá a dar, percebes? A malta é jovem e tal...! A moda agora é ser anti-yuppie. É ser Grunge! Sabem o que é isso? É apresentar um visual desalinhado, o menos limpo possível: jeans rotos, russos e sujos, uma t-shirt por baixo de uma camisa aos quadradinhos, e uma "perinha" e uns ténis sujos. O cabelo é comprido e despenteado e de preferência a curtir um bom som, como os "R&M"...Pois é, a malta é jovem e coisa e tal, sabem né?
L - L de Lisboa com os seus encantos. Cidade Europeia da Cultura em 94. Foi palco de várias festas em Junho, com os seus santos populares e respectivas marchas; e diversos artistas estrangeiros e nacionais. Muitos foram, também os concertos que tiveram aqui lugar, desde Michael Jackson a Ray Charles, passando pelos Metallica a Bruce Springsteen.
M - M de Mtropolitano. Obras e mais obras, buracos e mais buracos, cenas diárias da área metropolitana de Lisboa. Mas "dê-s o seu a seu dono". É de elogiar a construção do metro da Cidade Uiversitária e mais recentemente a do Campo Grande. O metro da Cidade Universitária, com os seus azulejos alusivos a personalidades célebres como Cesário Verde. O de Campo Grande, amplo e com arquitectura leve e moderna, faz a ligação com todas as estações e termina onde começa.
N - N de Natal. Altura feita à base de uma sociedade de consumo, com todos os seus meios atractivos para "miúdos e graúdos". É a época, em que é suposto haver união das famílias, paz, amor prosperidade...será isso mesmo ? Ou antes, será uma altura que na sua aproximação com todos esses mandamentos biblícos, esses sentimentos, que se proclamam num só dia, em vez de ser no decorrer de todo um ano que foi de guera para uns, de fome para outros tantos, de miséria, de competição e egoísmo, não será, dizia eu, uma altura cheia de artifícios, diria mesmo hipócrita?...
O - O de Orçamento Geral do Estado. Bastante polémico, o OGE foi posto em causa várias vezes. Corrupção, desvios, aplicações incorrectas, são as matrizes que marcam o estado das finanças nacionais.
P - P de PCP. Este ficou mais pobre, depois da saída do seu líder, Álvaro Cunhal. Carlos Carvalhas, antes "braço direito" do "cavalo branco", é agora o secretário-geral do PCP. Até agora parece corresponder às expectativas ansiadas...a ver vamos!!
Q - Q de Qualidade. A aposta agora é na qualidade de vida. Assim projectos e programas têm sido desenvolvidos a nível central e local, para um melhor acompanhamento dos problemas da população e tentar encontrar soluções para os mesmos. A aposta é no desenvolvimento integrado: económico/social/cultural/político/ambiental, entre outros. O passo seguinte,...difícil, é a consciencialização das diferentes mentalidades...
S - S de SIC. Novo canal da TV, independente e do ex-1ºMinistro, Pinto Balsemão. Uma tentativa bem conseguida, com grande variedade de programas. Assim, vivemos numa constante concorrência entre estes dois canais, RTP e SIC.
Quem ganha com isto tudo, é o telespectador, que vê mais e em qualidade...
T - T de TVI. Outro canal independente, da Igreja. Mais séria na sua apresentação, peca (parece irónico não?), pela escolha de programas, que pretende sejam educativos, só que na realidade são monótonos e "déja vu".
U - U de Urbanização. A preocupação em urbanizar, acarreta outros problemas, pois que, acabam por ser "blocos de cimento" amontoados, ou então apartamentos de luxo, cujo preço é melhor nem mencionar!! Já para não falar nos escassos espaços livres...
V - V de Valentim Loureiro. É Major, presidente do Boavista Futebol Clube, e quer candidatar-se à presidência de uma das Camâras do Porto, nas próximas autárquicas. Ficou conhecido por ter sido quem contou a célebre ao Ministro Carlos Borrego, que ao conta esta numa palestra, manchou a sua imagem e a do governo de tal maneia, que outra hipótese não lhe restou, a não ser apresentar a demissão! (méé, méé).
X - X de Xantia! Um Citrôen que marcou por ter linhas completamente diferentes das usadas nos modelos anteriores. Além deste, temos o Renault com o seu Twingo, uma nova atitude; a Nissan com o Micra, o carro do ano; a Fiat com o Cinquecento, para os apaixonados e o Opel com o novo Corsa, para os "meninos-bem". Estes têm em comum o facto de serem carros pequenos e terem um design de linhas arredondadas. Enfim, são os carros do futuro, prontos para enfrentar longas esperas e probemas de estacionamento.
Z - Z de "Zé Povinho". Mais uma vez enganado. Ninguém, como sempre, acreditou que os grandes pensam nos pequenos, quando elaboram os seus arrojados projectos. Mais uma vez, o "Zé" percebeu que na cabeça dos governantes, ele não passa de mais um número a analisar. Ete está sempre a descobrir que George Orwell tinha razão ao afirmar que "vivemos o Triunfo dos Porcos", em "1984"...!

terça-feira, 3 de julho de 2007

JOVEM: IDENTIDADE E INTEGRAÇÃO

Torna-se difícil explicar o que é a juventude e o que significa ser jovem. Trata-se de algo mais do que um modo de “sentir”, agir e actuar em público nos vários sectores da sociedade. Atrevemo-nos a dizer que os jovens são a marca de referência nos diversos discursos públicos, institucionais, políticos, literários, nos meios de comunicação social, na publicidade, na moda, no consumo, etc., constituindo uma presença e um referencial habitual na actualidade.
A definição de “jovem” leva-nos a pensar numa fase de transição entre a infância e a capacidade de procriar e de inserção na vida activa.
Nesta fase, o jovem vai procurando a sua identidade, com normas comportamentais e atitudes próprias que muitas vezes inquietam os governantes, as famílias e a sociedade em geral, uma vez que os jovens colocam mais perguntas do que respostas. Vivem entre contradições, como as da paz e a intimidação, da solidariedade e da xenofobia, o emprego e a incerteza do desemprego, entre o progresso social e a deterioração das suas condições de vida, a pobreza e a riqueza, a unidade e a diversidade de culturas.
Há jovens que apelam à sociedade para que gere estratégias e políticas inovadoras e eficazes que toquem a sua condição. Esta, procura – com as suas limitações – condições que favoreçam o papel dos jovens em vários sectores da vida social e cultural, como o acesso ao ensino, ao trabalho e a melhoria de vida (saúde, habitação...).
Mas é neste estado de coisas que os jovens se inserem, problemas do presente (sem resposta) bloqueiam as suas vidas e conduzem muitos à indiferença e ao laxismo.
É a esta luz que devem ser interpretados fenómenos como as taxas de insucesso e abandono escolar, a proliferação das toxicodependências e, em alguns meios urbanos, dos comportamentos marginais organizados.
Urge que a juventude seja encarada pelo poder político como um segmento da sociedade em posição privilegiada para o combate por um Cabo Verde mais desenvolvido, com maior riqueza e com melhor distribuição da riqueza.
São reconhecidas algumas limitações, por exemplo, no sistema de ensino, e há que encontrar respostas diversas (e plurais) que forneçam aos jovens uma parte fundamental das aptidões necessárias a uma intervenção plena na sociedade dos nossos dias. Há ainda que encontrar respostas integradoras que constituam para muitos uma nova oportunidade de formação e de aquisição dos valores cívicos fundamentais.
É nossa opinião que um dos instrumentos de utilidade maior na continuidade do que se deseja passa ainda pelo associativismo juvenil. A associação é um espaço de participação activa em que se adquirem os valores da democracia e do trabalho em equipa, e é, simultaneamente, um importante local de educação não formal, em que se reflecte em conjunto e se aprende fazendo.
É notório que o sistema político em vigor em Cabo Verde conseguiu “criar gerações”. Gostaríamos que a nossa juventude estivesse atenta a este processo, ao cimentar um sentido de compromisso, de preocupação com a sua comunidade, com o seu município, com a sua nação.
Torna-se difícil explicar o que é a juventude e o que significa ser jovem. Trata-se de algo mais do que um modo de “sentir”, agir e actuar em público nos vários sectores da sociedade. Atrevemo-nos a dizer que os jovens são a marca de referência nos diversos discursos públicos, institucionais, políticos, literários, nos meios de comunicação social, na publicidade, na moda, no consumo, etc., constituindo uma presença e um referencial habitual na actualidade.
A definição de “jovem” leva-nos a pensar numa fase de transição entre a infância e a capacidade de procriar e de inserção na vida activa.
Nesta fase, o jovem vai procurando a sua identidade, com normas comportamentais e atitudes próprias que muitas vezes inquietam os governantes, as famílias e a sociedade em geral, uma vez que os jovens colocam mais perguntas do que respostas. Vivem entre contradições, como as da paz e a intimidação, da solidariedade e da xenofobia, o emprego e a incerteza do desemprego, entre o progresso social e a deterioração das suas condições de vida, a pobreza e a riqueza, a unidade e a diversidade de culturas.
Há jovens que apelam à sociedade para que gere estratégias e políticas inovadoras e eficazes que toquem a sua condição. Esta, procura – com as suas limitações – condições que favoreçam o papel dos jovens em vários sectores da vida social e cultural, como o acesso ao ensino, ao trabalho e a melhoria de vida (saúde, habitação...).
Mas é neste estado de coisas que os jovens se inserem, problemas do presente (sem resposta) bloqueiam as suas vidas e conduzem muitos à indiferença e ao laxismo.
É a esta luz que devem ser interpretados fenómenos como as taxas de insucesso e abandono escolar, a proliferação das toxicodependências e, em alguns meios urbanos, dos comportamentos marginais organizados.
Urge que a juventude seja encarada pelo poder político como um segmento da sociedade em posição privilegiada para o combate por um Cabo Verde mais desenvolvido, com maior riqueza e com melhor distribuição da riqueza.
São reconhecidas algumas limitações, por exemplo, no sistema de ensino, e há que encontrar respostas diversas (e plurais) que forneçam aos jovens uma parte fundamental das aptidões necessárias a uma intervenção plena na sociedade dos nossos dias. Há ainda que encontrar respostas integradoras que constituam para muitos uma nova oportunidade de formação e de aquisição dos valores cívicos fundamentais.
É nossa opinião que um dos instrumentos de utilidade maior na continuidade do que se deseja passa ainda pelo associativismo juvenil. A associação é um espaço de participação activa em que se adquirem os valores da democracia e do trabalho em equipa, e é, simultaneamente, um importante local de educação não formal, em que se reflecte em conjunto e se aprende fazendo.
É notório que o sistema político em vigor em Cabo Verde conseguiu “criar gerações”. Gostaríamos que a nossa juventude estivesse atenta a este processo, ao cimentar um sentido de compromisso, de preocupação com a sua comunidade, com o seu município, com a sua nação.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Férias sem Luz

( Para quem interesse este artigo, serve de prevenção para situações que podem ser evitadas a tempo. Vamos todos pensar que melhorias serão tomadas em relação à nossa LUZ; mas como diz o ditado: "mais vale prevenir do que remediar"...!)

Deparo-me com o meu 1º Verão (2006) com cortes de luz sucessivos e paro para pensar no que fará a juventude em férias.De certo que o mar é o “escape”.

Acredito que seja aprazível “reunir a malta” e rumar para “Quebra Canela”, disfrutar do sol de todos os dias para conseguir o bronze mais bonito e entrar no mar, com ondas de preferência e lavar a alma. Ainda se põe em dia a conversa sobre as diferenças com os pais, as chatices dos irmãos, sobre a música que está na “berra”, a escola e os cursos que se quer fazer. Falam sobre os países onde querem estudar. Parece-me que a maioria ainda prefere o Brasil, para ficar. Falam da moda, de festas, das férias que irão gozar...e claro aproveita-se para namoricar ao “soleil”. Melhor dizendo, já não se namora, o que está a dar é “curtição”. Mas, por outro lado fora do tempo de banho o que farão?

Quando há luz vão-se entretendo com a leitura, com a Internet e com os amigos. Quando não há luz, uns mais aplicados lêem à luz da vela já que os olhos sempre ajudam. Outros preferem apagar a vela e dormir até que se faça luz do dia ou eléctrica.

Dá que pensar, esta situação de corte de energia perante uma juventude irriquieta à espera das suas merecidas férias. Se por um lado é castrador, e lamentável por isso mesmo, as possibilidades de um Verão melhor que o anterior, também acredito que incute no espírito do jovem, mais disciplina, um maior sentido de cumprimento, derivado a horários que tendem a estabelecer-se, uma atitude mais responsável para com o que consome e tanto ele como a sociedade só têm a ganhar em matéria de qualidade. A nossa realidade me vem mostrando que há outra juventude que, não estudando, procura um emprego, e quando este não aparece, os desvios ao padrão social são mais frequentes. Sem luz, têm um ambiente propício para manifestações desordeiras. Já o era com luz, que dizer nestes tempos “escuros”.

A delinquência juvenil, a toxicodependência e o alcoolismo são com certeza problemas para que a segurança deve estar alerta e pronta para intervir no momento certo. Mas sabemos que em Cabo Verde uma das camadas mais populosas é a jovem, e o controlo da mesma é difícil. È este o nosso “calcanhar de Aquiles”, no que se refere aos jovens, pelo que tem que haver medidas políticas, a começar pelo emprego e o ensino no sentido de enquadrar esta “juventude perdida” que, de “férias” permanentes, semeia ociosidade e cria num meio sem luz, todos os cenários que incentivam distúrbios sociais. Não termino sem reforçar o apoio das associações juvenis para incentivar estes jovens na procura de um futuro “com luz”.

sábado, 23 de junho de 2007

O FENÓMENO DA DROGA EM CABO VERDE

Nunca será uma abordagem linear, nem no passado nem no presente, mas, quiçá, no futuro haja um modo de compreender este fenómeno.

Quando estive em Cabo Verde nos fins da década de 80, pouco se falava sobre o assunto no país. Havia está claro, certos grupinhos espalhados que fumavam na altura, “padjinha” (erva). Muitas das vezes esses grupos de jovens eram conotados (bem ou mal) como “rastas”, por usarem tranças grossas, boinas e usarem roupas coloridas como as usadas por BOB MARLEY. Isto está claro na cidade da Praia. Lembro-me de os encontrar sempre na esplanada do “Plateau”” e parecia que nada tinham para fazer. Bebiam as suas cervejas e mais não via.

A “padjinha”, como em todo o sítio é fácil de plantar, embora na nossa terra seja escassa a chuva, é uma erva de bom cultivo. Talvez trouxesse algum comportamento de distanciamento para com os supostos “rastas”, um certo individualismo, mas desde que não causassem problemas, para a maioria das pessoas passava despercebido.

O que será feito destes jovens hoje? E estou a falar de jovens crescidos em Cabo Verde - reporto-me sempre a Cabo Verde -. Mais de 10 anos volvidos, em que é que se transformaram? Deixo esta questão em aberto, por enquanto.

Na mesma altura em que estive em Cabo Verde, no interior de Santiago –Assomada -, para onde ia muitas vezes, verifiquei que a camada social mais elevada era a jovem. E como jovens que eram, gostavam de ficar na praça, rapazes e raparigas, iam ao único cinema que existia, pareciam mais inocentes que os jovens da cidade. Mas num clima mais húmido, a cultura da “padjinha” só podia ser facilitada.

Mas será considerada uma droga o consumo de erva? Então o tabaco que eu fumo, ou o alcóol também são drogas, mas estão à venda em qualquer estabelecimento destinado a estes produtos, e mais, em relação ao tabaco sabemos que prejudica gravemente a saúde, e o alcóol pode servir como um aditivo quando em demasia. E certos medicamentos? Ansiolíticos, hipnóticos, entre outros, não deixam de ser outro tipo de drogas, mesmo quando há assistência e vigilância médica, pelo efeito que causam.

Ao mesmo tempo muitos emigrantes de vários países começavam a construir as suas casas nesta Vila (na época). A partir daí, quem quisesse poderia ver o crescimento urbano galopante que Assomada vivia. Casas que destoavam do ordenamento territorial da Vila, jovens com carros nunca vistos: ferraris, jaguar’s, e a própria indumentária “made in USA”. Terá sido tudo esforço do trabalho árduo na diáspora? Além de divisas não entraria droga, e não me refiro a “padjinha”? Mas como é que chegaria (presume-se que chega) o produto até aos jovens? Fica em aberto esta questão pois muitas podem ser as maneiras de se envolverem com drogas mais duras como a “Cannabis Sativa”, que é de produção nacional[1].

O certo é que continuava tudo na mesma. Quando digo isto falo da ordem, da autoridade, da justiça social. Atacar o mal pela raíz não deveria ser nessa altura? Mesmo antes, na altura da simples “padjinha”. Certo que todos nós tentamos solucionar um problema, quando este está a acontecer. Mas falamos de jovens, numa fase de transição, que querem fazer tudo, querem ter novas experiências. Cada camada social tem as suas características internas que a identificam como pertencendo a um grupo. E o jovem pertence a um grupo de alto risco em termos sociais. O futuro destes jovens não me parece risonho. O problema é que arrastam com eles os mais novos e como se controla esta “bola de neve”? Que pelos vistos até os mais velhos se aliam ao negócio da droga para terem lucro mais fácil.

Não estou com isto a dizer que sejam os jovens os pioneiros, mas são os mais curiosos, os mais aventureiros, os mais audazes. Quem já foi jovem entende o que digo.

O tempo passa, e começa-se a ouvir falar de crimes, de um jovem preso por tráfico de droga, de deportados da América do Norte para Cabo Verde por rebeldia (criminosos), de homicídios absurdos, de assaltos. A violência instala-se e porquê? Não é a droga a única causa disto, mas que é uma delas é. O querer consumir mais e mais leva a desesperos e vale tudo. O tráfico também aumenta, o dinheiro é fácil de ganhar e arrisca-se tudo para tê-lo. Os crimes podem ser realizados muitas vezes sob efeito de consumo de droga para roubar e podem ter resultados trágicos.

É notório o que o Governo está a fazer para “travar” este problema? Talvez consiga levar a cabo alguns problemas relacionados com a droga, mas com o fenómeno da droga? Foi criada em 1996 a Comissão de Coordenação do Combate à Droga, no Ministério da Justiça e Administração Interna, com duas áreas a desenvolver: coordenação das acções de todos os organismos nacionais que prossigam objectivos de luta contra a droga e promover e assegurar a cooperação com entidades estrangeiras na luta contra o uso e o tráfico ilícito de drogas.

E a sociedade civil? A família? Estarão consciencializadas para a par com o Governo apoiar e denunciar?

Num momento em que tanta tinta corre sobre outros problemas como a pedofilia (?). Já tínhamos a prostituição, a gravidez precoce, os meninos da rua...pergunto-me se não está tudo relacionado? Uns problemas por causas intrínsecas, outros por causas extrínsecas?

E o que se tem feito? Criado infra-estruturas para colocar estes elementos como reclusos, para reinserção social, o que parece ser o mais certo, enquanto estão lá.

Volto à questão que deixei em aberto, que comecei a responder quando afirmei que “o futuro destes jovens não me parece risonho”, e porquê? O que irão fazer depois de saírem destas instituições? Irão reinserir-se na sociedade como cidadãos comuns? Gostava que assim fosse. Mas sou pessimista em relação a este assunto. Para mim é uma juventude perdida, que voltará à mesma vida quando saírem para as ruas. Gostaria que alguns destes jovens conseguissem superar o passado, poderá ser possível?

Tem-se, por outro lado, que pensar nos mais novos, ainda isentos destes perigos que espreitam lá fora, criar sim, infra-estruturas para sua ocupação, educação, formação cívica. É difícil este trabalho, porque falamos de crianças, adolescentes e jovens diferenciados destes outros, com quem co-habitam, que assistem ao comportamento deles, enfim numa realidade em que não se pode “separar” o bom do mau, sobretudo quando o mau é também um produto da sociedade, embora a sociedade seja feita pelos indivíduos. É um emaranhado de situações que têm que ser descortinadas.

Mas tentando não nos dispersar, voltemos ao tema da droga. Tem-se levado a cabo projectos de combate à droga, o último deles dá-nos informações actuais e importantes que nos permite compreender melhor o que se passa no mundo da droga em Cabo Verde.

O diagnóstico da situação actual relatado no “I Encontro de Reflexão sobre a Problemática da Droga em Cabo Verde”[2], faz referência para a situação geográfica de Cabo Verde que mantem relações aéreas e marítimas com África, América e Europa, o que implica certo determinismo com a questão da droga.

[1] I ENCONTRO DE REFLEXÃO SOBRE A PROBLEMÁTICA DA DROGA EM CABO VERDE – Ministério da Justiça e Administração Interna – Comissão de Coordenação do Combate à Droga, 26 a 27 de Junho de 2001. Parceiros: MJAI, PNUD, PNUCID, OMS, UNICEF e FNUAP, pág. 3.

[2] Idem, pág. 3.

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